Agencia Petrobras de Noticias

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Lobão rebate críticas a mudança de regime de royalties do pré-sal

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que não concorda com as críticas de alguns governadores, como os do Rio de Janeiro e de São Paulo, às mudanças no sistema de distribuição de royalties que serão adotadas para o petróleo da camada pré-sal.

“Não acho que tenham razão quanto às queixas que fazem. Não se vai mudar nada do que existe hoje em relação aos estados produtores. No regime de concessão, eles recebem royalties e royalties continuam recebendo”, disse após participar do 2º Encontro Nacional da Siderugia, em São Paulo.

Ele garantiu que o governo não mudará a posição de adotar o sistema de partilha para os lotes ainda não leiloados do pré-sal, que representam cerca de 70% do total. Por esse modelo, “a União recebe bem mais [royalties] para distribuir pelos outros estados [além dos produtores]”, explicou. Os estados produtores, por sua vez, acabam recebendo menos recursos.

Segundo Lobão, o texto final sobre o assunto, que será enviado para apreciação da Câmara e do Senado, deverá estar concluído até sexta-feira (29). Ao chegar ao Congresso, na próxima segunda-feira (31), o projeto estará, de acordo com o ministro, aberto para discussões, e os governadores que discordam da proposta poderão apresentar suas posições. “Os governos que defendam sua posição no Congresso”, ressaltou.

Recursos do pré-sal serão investidos em infraestrutura

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse hoje (24) que os rendimentos do fundo formado pelo pré-sal serão investidos em atividades rentáveis e em infraestrutura.

“A ideia é justamente aplicar recursos prioritariamente para sanar a grande dívida social que esse país tem com a população. Para isso, vão investir em atividades que tenham rentabilidade e pode ser em atividades de infraestrutura. E os rendimentos, serão justamente no fundo social”, disse.

Tolmasquim que considerou a descoberta do pré-sal como um “bilhete premiado da loteria”. Nós já somos autossuficientes. O que vem a mais é para exportação. O pré-sal é um grande bilhete na loteria que o Brasil ganhou”, afirmou.

O presidente da EPE participou da elaboração do marco regulatório do pré-sal, que será apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 31 de agosto. Em debate sobre energia na Comissão de Infraestrurura do Senado, ele revelou que a exploração será realizada em regime de parceria, que considera a forma mais adequada devido a convicção de que o risco do negócio é bem menor do que o governo imaginava.


“O regime de concessão foi pensado quando se tinha uma percepção de que o risco era muito grande. A concepção hoje é de que o risco é bem menor, por isso, não tenho dúvida de que o modelo de parceria é o mais adequado", afirmou.

O presidente da EPE considerou ainda que já existe tecnologia suficiente para explorar petróleo na área do pré-sal e que o que o governo tem trabalhado para baratear o custo operacional da exploração.

O presidente da comissão, senador Fernando Collor, questionou o presidente da EPE sobre a distribuição dos royalties sobre o petróleo extraído da camada pré-sal, mas Tolmasquim não quis falar sobre o assunto. “Como o presidente vai anunciar o projeto no próximo dia 31, eu queria não falar sobre isso. Não quero aqui anunciar nada”, disse.

Na opinião do senador alagoano, a distribuição dos royalties será o principal problema na discussão do projeto na Câmara e no Senado, que exigirá dos senadores e deputados “muita engenharia política”. “Esse é um problema crucial. Como isso será dividido? Isso vai exigir muita engenharia política nossa para que possamos chegar a uma acordo”, afirmou Collor.

Hoje (24), o governo teve a ideia do tamanho da “engenharia política” para equalizar os interesses dos estados. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), que se reunirá com o presidente Lula na próxima semana, vai reclamar das propostas de redistribuição dos royalties que estão sendo pensadas. “Dividir os recursos do pré-sal com outros estados brasileiros seria um ato de brutalidade com o Rio de Janeiro”, disse Cabral.

O tucano Aécio Neves, governador de Minas Gerais, já defende que a distribuição dos royalties contemple também os estados. “O Rio deve ter participação nisso, mas o Brasil de alguma forma também tem que ser beneficiado, ou vamos ter uma distorção ainda maior entre estados e regiões”, disse o mineiro em debate realizado no Rio de Janeiro.

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